Em setembro de 2020, pai e filho foram presos depois de realizarem uma série de assaltos dentro do bairro Buritis. A dupla tinha uma extensa ficha criminal e já era suspeita de realizar furtos e roubos no bairro há algum tempo. O que difere essa detenção das demais operações é que a prisão deles só foi possível graças à atuação da Rede de Condomínios Protegidos do bairro Buritis, um projeto que existe desde 2019 e tem dado resultado.
Essa aproximação entre a Polícia Militar e os moradores do bairro Buritis não é novidade, ela era bastante antiga e levava o nome de Rede de Vizinhos Protegidos. Além do nome, o funcionamento da rede também era diferente e acabava não sendo tão eficiente na prática, já que não havia uma organização tão precisa sobre quantas pessoas faziam parte da rede e a Polícia Militar não conseguia manter a comunicação com os integrantes.
Foi nesse contexto, em setembro de 2018, que surgiu a ideia de reformular o projeto, o que acabou resultando na criação da Rede de Condomínios Protegidos do Buritis. Ao todo, a nova rede passou por cerca de um ano de reformulação, envolvendo reuniões entre a Polícia Militar e os síndicos que participavam da União dos Condomínios do Bairro Buritis (UCBB).
Nessas reformulações, foram definidas medidas que garantem uma troca mais rápida e eficiente entre os policiais e os moradores. Ana Luiza Boaventura, Presidente da Comissão da Rede de Condomínios Protegidos do Buritis, explica que o bairro foi dividido em seis setores, sendo que dentro de cada um deles podem participar cerca de 125 condomínios.
Como o diferencial da Rede é a comunicação facilitada entre os moradores e os profissionais da segurança pública, foram criados grupos de WhatsApp, onde é permitida a participação do síndico e subsíndico de cada condomínio cadastrado.
“Outros bairros de BH também têm redes de vizinhos protegidos, mas nossa Rede é referência na região, pois mantemos um cadastro organizado, reuniões periódicas e os grupos são administrados também pelos militares. A questão de termos um celular corporativo da PM, com plantão 24hs, nos permite um contato mais próximo com a PM e mais agilidade nas ações”, explica a presidente da Rede.
O morador e síndico Paulo Fernandes Garcia mora no bairro há 26 anos e entrou para a Rede de Condomínios Protegidos do Buritis depois de ver a divulgação do projeto no jornal da Associação do Bairro. Fez parte da primeira reunião com a Polícia Militar, em maio de 2019, e desde então tem permanecido no grupo.
Para Paulo, a principal vantagem de se fazer parte da Rede é o resguardo oferecido pela PM. “A própria placa da Rede de Condomínios Protegidos já chama atenção e dá a dimensão que a Polícia Militar está conosco, passando um sentimento de segurança a todos. Não tivemos ocorrência aqui, mas em outras ruas do meu setor sim. Fomos alertados de indivíduos suspeitos através do Grupo da Rede, o que nos fez ficar em alerta”, diz o morador.
Atualmente, quem o regulamenta é a própria Comissão da Rede de Condomínios. Além de atender ao Buritis, o projeto tem se expandido também ao bairro Estoril, sob o mesmo sistema de controle e vigilância.
O procedimento para participar da Rede é bastante facilitado. Para cadastrar o seu condomínio basta que seja morador do Buritis ou do Estoril e preencha um formulário de inscrição. A solicitação desse formulário é feita mediante requerimento feito pelo e-mail redecondprotegidosburitis@gmail.com.
Buritis
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